A REALIZAÇÃO FONÉTICA DO /S/ PÓS-VOCÁLICO NOS MUNICÍPIOS DE BOCA DO ACRE, LÁBREA E TAPAUÁ

Edson Galvão Maia

Resumo


Esta pesquisa inscreve-se na perspectiva da Dialetologia Pluridimensional, proposta por Radtke e Thun (1996). Investigaram-se as variantes do /S/ pós-vocálico no falar dos habitantes de três localidades pertencentes à Microrregião do Purus, no Estado do Amazonas: Boca do Acre, Lábrea e Tapauá. Para a realização deste trabalho foram consideradas as variáveis gênero e faixa etária, a fim de se observar a influência desses fatores na escolha das variantes pelo falante. Da mesma forma, realizou-se uma análise à luz das teorias fonológicas, a saber a Teoria Gerativa Clássica de Traços Distintivos proposta em The Sound Pattern of English (SPE), de Chomsky e Halle (1968) e a Teoria da sílaba, para a melhor compreensão do fenômeno no próprio sistema linguístico. Nesta pesquisa, foram investigados 18 informantes residentes nas localidades em estudo, distribuídos da seguinte forma: 6 informantes em cada localidade, sendo um homem e uma mulher em cada uma das três faixas etárias (18 a 35 anos, 36 a 55 anos e 56 anos em diante). Os dados resultaram em 51 cartas fonéticas e 13 cartas fonético-contextuais, que apontam o uso da variante alveolar como mais frequente na região. No entanto, a análise do fonema em contextos específicos revelou que as variantes são condicionadas por determinados contextos, dos quais se citam a variante pós-alveolar, que é privilegiada principalmente pelo contexto medial antes de oclusiva [t]; a variante aspirada, condicionada pelo contexto anterior a lateral e nasal; e o apagamento que ocorre frequentemente em contexto final, quando o /S/ é morfema de plural. A análise pelos fatores sociais, por sua vez, revela como variante conservadora a pronúncia alveolar, enquanto a aspirada parece ser a mais inovadora. A análise revela também a localidade de Tapauá como a mais conservadora e a localidade de Lábrea como a mais inovadora.

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Referências


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